domingo, 20 de novembro de 2016

SEMINÁRIO NACIONAL EM SP da EPS do PT e Novo Rumo.




Anote em sua agenda e não deixe de comparecer no Seminário Nacional das correntes petistas Esquerda Popular e Socialista - EPS e o Novo Rumo, que será realizado nos dias 25, às 19h, e 26, às 9h, em São Paulo, no Sindicato dos Químicos, na rua Tamandaré 348.

O Seminário vai discutir a conjuntura nacional, as tarefas do PT e a organização do movimento social.

Entre os convidados para a abertura, estão Rui Falcao, presidente nacional do PT, Guilherme Boulos, coordenador do MTST, João Paulo Rodrigues, do MST, Emir Sader, Lindbergh Farias, senador, Sheila Oliveira do DN, Taíres da UNE e Juliana Cardoso, vereadora e da executiva nacional.

domingo, 13 de novembro de 2016

O Hino do Partido Trabalhadores.

RESOLUÇÃO - CONVOCAÇÃO DO VI CONGRESSO NACIONAL E DA ELEIÇÃO DAS NOVAS DIREÇÕES PARTIDÁRIAS DO PT.




O Diretório Nacional decide:


1. Convocar o VI Congresso Nacional do PT para os dias 7, 8 e 9 de abril de 2017.

2. A eleição das direções municipais, via PED, e a eleição dos delegados e delegadas para os Congressos Estaduais será realizada no dia 12 de março de 2017.

3. A etapa municipal do Congresso renovará as direções municipais e escolherá os delegados e delegadas estaduais, cujas eleições serão realizadas através de chapas, por cédulas e voto secreto, durante todo o período de realização da etapa.

4. A eleição do próximo Diretório Nacional será feita, excepcionalmente, no Congresso Nacional pelos delegados e delegadas eleitos nos Congressos Estaduais.

5. As Direções Estaduais serão eleitas em Congressos Estaduais, excepcionalmente, pelos delegados e delegadas eleitos nos municípios, em chapas conforme o item 3.

6. O mandato das próximas direções partidárias será, excepcionalmente, de 2 anos.

7. Os Congressos Estaduais serão realizados simultaneamente nos dias 24 a 26 de março de 2017.

8. As chapas estaduais de delegados e delegadas para o Congresso Estadual deverão ser inscritas até o dia 30 de janeiro de 2.017 junto às Secretarias Estaduais de Organização.

9. A inscrição das chapas para a eleição dos diretórios municipais deverão ser feitas até o dia 30 de janeiro de 2017.

10. Para votarem e serem votados para delegados e delegadas os filiados deverão estar com suas obrigações estatutárias.

11. Na composição dos Congressos Municipais, Estaduais e Nacional deverá ser assegurada a participação de Convidados e Observadores na proporção mínima de 10% da composição de delegados e delegadas.

12. A composição das listas de Convidados e Observadores será feita pelas Comissões Executivas em cada nível.

13. Todas as deliberações deste Diretório que tenham qualquer conflito com as previsões estatutárias deverão ser referendadas pelo Congresso Nacional.

14. Fica estabelecida que a composição da delegação nacional terá 600 delegados e delegadas.

15. A pauta do Congresso Nacional será:

a) Cenário internacional
b) Cenário nacional
c) Balanço dos Governos Nacionais Petistas
d) Estratégia Política e Programa
e) Funcionamento do PT e organização partidária, com exceção do tema PED.

16. Será obrigatória a realização de debate interno com os filiados e filiadas e também de Etapas Livres antecipadamente ao congresso municipal partidário.

17. As direções partidárias em todos os níveis deverão promover reuniões e debates com o movimento social, intelectuais, partidos aliados, dentre outros, sobre o temário do Congresso.

18. Para estas atividades, as direções partidárias poderão contar com o apoio da Fundação Perseu Abramo.

19. A CEN deverá instalar página digital especifica para debates e contribuições ao Congresso Partidário.

20. A CEN organizará o lançamento do VI Congresso Nacional do PT no dia 8 de dezembro.

21. A CEN normatizará os detalhes desta decisão.

22. Os Encontros Setoriais Estaduais serão realizados nos dias 6, 7 e 8 de maio de 2017.

23. Os Encontros Setoriais Nacionais serão realizados nos dias 2, 3 e 4 de junho de 2017 e 9 a 11 de junho de 2017.

Diretório Nacional PT
São Paulo, 11.11.2016

sábado, 12 de novembro de 2016

Conheça a história de alguns ídolos do Flu Marcão.



Marco Aurélio de Oliveira
★ 22/07/1972

Local de Nascimento: Petrópolis, RJ
Posição: Volante
Período: 1999-2006
Jogos: 397
Gols: 22

Principais Títulos: Campeonato Brasileiro (série C) 1999 / Campeonato Carioca 2002, 2005 / Taça Rio 2005

Chegou às Laranjeiras em 1999 para enfrentar a dura pedreira da série C. Naquele grupo recheado de jovens, galgou imediatamente o posto de líder.

Marcador implacável, sua comovente força de vontade em campo logo conquistou também o coração da torcida.

Graças à sua estrela, fez gols em jogos decisivos de dois títulos cariocas: o de 2002, ano do centenário do clube, e o de 2005.

Fez também um lindo gol de bicicleta em um clássico contra o Botafogo. O grito “é seleção”, que ecoava nas arquibancadas sublinhando o anúncio da presença de Marcão no time do Fluminense, mostrava o quanto era querido.

domingo, 6 de novembro de 2016

“Muita gente não tem a menor idéia do que é a PEC 241 (PEC do Teto), nem de suas consequências” afirma CNBB.




por Cláudio da Costa Oliveira, economista aposentado da Petrobras

Na última quinta-feira (27/10) a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se posicionou em relação à PEC que limita os gastos públicos. Segundo os bispos brasileiros:

“ A PEC 241 é injusta e seletiva. Ela elege para pagar a conta do descontrole de gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública.”

A dura advertência da CNBB, que evidentemente não foi divulgada pela grande mídia golpista, mostra a que ponto chegamos sendo administrados por pessoas que não são brasileiros. Mostra, mais uma vez, que estamos sendo administrados por colonizadores, que estão aí só para explorar o Brasil e seu povo.

Além do que é levantado pela CNBB, antes de se falar em conter gastos em saúde e educação, muitos outros aspectos relevantes deveriam ser observados e sofrer alterações como por exemplo:

A alíquota máxima do IR para pessoas físicas no Brasil de 27,5% é uma das menores do mundo. Muitos estrangeiros que tem visto permanente no Brasil optam por pagar IR aqui, pois nos seus países de origem as alíquotas atingem 40/50%. Perguntem ao Ministro da Fazenda Henrique Meireles, que tem cidadania americana, onde ele prefere pagar seu imposto de renda?
Dividendos auferidos por proprietários de empresas no Brasil estão isentos de impostos, isto só acontece por aqui.
As empresas brasileiras podem lançar como despesa os “juros sobre capital próprio” pagos aos acionistas, o que é mais um artifício “jabuticaba” (só existe no Brasil).
A CNBB também esclarece:

“É possível reverter o caminho de aprovação desta PEC, que precisa ser debatida de forma ampla e democrática. A mobilização popular e a sociedade civil organizada são fundamentais para superação da crise econômica e política. Pesa, neste momento, sobre o Senado Federal, a responsabilidade de dialogar amplamente com a sociedade a respeito das consequências da PEC 241”.

É claro que em qualquer país sério do mundo, um assunto desta relevância, seria amplamente discutido com toda a sociedade, com muitas audiências públicas e grande divulgação. Mas não acredito que isto venha a ocorrer por aqui, pois nossos “colonizadores” querem queimar etapas e impor todo o ônus ao povo trabalhador brasileiro, sem muita discussão. O Senado que temos hoje está unido ao governo Temer com um principal objetivo que é “estancar a sangria” da “Lava Jato”, sendo que o STF está sob controle, como disse o senador Jucá.

Mas por outro lado vemos com muita alegria e satisfação este movimento “ocupa tudo”, que surgiu de forma espontânea entre estudantes secundaristas e universitários, contestando os desmandos do governo.

Felizmente podemos dizer que ainda há esperança para o futuro do Brasil.

sábado, 5 de novembro de 2016

Motivos para "Parar" dia 11 de novembro não faltam!!!


Desde que o golpe se concretizou, golpistas avançam em direitos da classe trabalhadora e tropeçam em contradições.

A CUT e demais centrais sindicais chamaram, para o próximo dia 11 de novembro, o “Dia Nacional de Greve”. A expectativa é de união de classe trabalhadora contra um governo que tem em sua gênese um golpe parlamentar que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff.

Uma breve análise do cenário político nos últimos meses mostra que desde que Michel Temer (PMDB) sentou na cadeira da presidência, um alvo ficou evidente: os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores.

Não faltam motivos, portanto, para que no próximo dia 11 de novembro a classe trabalhadora se una e cruze os braços diante de tantos ataques aos direitos conquistados pela categoria nas últimas décadas. Confira alguns:

PEC 241

Aprovada no último dia 25 de outubro, a PEC 241, que no Senado será PEC 55/2016, prevê o congelamento em investimentos públicos para os próximos 20 anos. A medida irá interferir diretamente nas verbas destinadas à Saúde e Educação, já que os repasses de verbas serão reajustados apenas de acordo com a inflação. Durante os governos de Lula e Dilma, o reajuste era feito acima da inflação.

Pré-Sal

A aprovação do PL 4567/2016, altera o papel da Petrobrás na exploração do pré-sal. Além de não ser mais operadora única, também não terá direito ao mínimo de 30% da produção, conforme previa lei aprovada durante o governo Lula. Com o argumento de adequar a empresa a suas dívidas e abrir o mercado a novos investidores, a medida pode trazer estragos gigantescos a toda uma cadeia produtiva, prejudicar o desenvolvimento tecnológico e ainda fazer do país mero exportador de matéria-prima.

Reforma da Previdência

Uma das medidas anunciadas como prioridade por Temer, a Reforma da Previdência deve aumentar a idade mínima de aposentadoria para 65 anos e igualar a idade entre homens e mulheres e entre trabalhadores do campo e da cidade. Outra medida que pode prejudicar as aposentadas e aposentados, é que a proposta de Temer prevê a vinculação dos benefícios da previdência aos reajustes de salários mínimos.

Terceirização

O PL 4330, que foi aprovado na Câmara e tramita no Senado como PLC 30, prevê a terceirização da atividade-fim nas empresas. Se aprovado também pelos senadores, o projeto autoriza a precarização do trabalho e pode significar a extinção da CLT. Além disso, o contratante fica livre de responsabilidades quanto ao não cumprimento de leis trabalhistas.

Corrupção

Quando assumiu, Temer fez questão de discursar contra a corrupção. Porém, desde que assumiu, em maio deste ano, três ministros de seu governo foram afastados por suspeita de envolvimento em corrupção: Romero Jucá (Planejamento), Fabiano Silveira (Transparência, Fiscalização e Controle) e Henrique Alves (Turismo). Além disso, o presidente retirou o caráter de urgência da tramitação do pacote de medidas anti-corrupção, que foi elaborado pela equipe de Dilma Rousseff e enviado ao Congresso.

NOTA EM SOLIDARIEDADE AO MST | EPS do PT.




Em 4 de novembro de 2016, o estado de exceção se aprofunda em nosso país com ação truculenta da polícia civil e forte proteção da polícia militar nos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

No período da manhã, policiais invadiram a Escola Nacional Florestam Fernandes (ENFF), coordenada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Guararema-SP. 

Sem ordem judicial os policiais pularam os muros e entraram na escola disparando tiros de munição letal para o alto. A ação faz parte da denominada "Operação Castra" e acontece também nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul.

Reafirmamos nossa total solidariedade ao MST que é uma organização sólida, estando sempre ao lado daqueles que lutam pela Reforma Agrária e pelo povo brasileiro. 

Tal atitude contra o movimento faz parte do processo golpista em curso no país que visa criminalizar as organizações de esquerda e movimentos sociais.

Conclamamos a nossa militância para estar imbuído nas movimentações de solidariedade e de lutas contra a criminalização dos movimentos sociais e da esquerda brasileira.

Ousar lutar, ousar vencer!
Comissão executiva nacional da EPS do PT

NOTA DA PASTORAL DA JUVENTUDE DO MEIO POPULAR (PJMP) EM SOLIDARIEDADE AO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA (MST).



“Maldita toda a violência que devora a vida pela repressão”

Não à criminalização dos movimentos sociais! Na manhã do último dia 04 de novembro de 2016, a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) em Guararema (SP), sede do MST, movimento que luta pela democratização do acesso à terra no país, foi invadida por um grupo de policiais civis fortemente armados em varias viaturas, numa clara tentativa de intimidação e criminalização do Movimento.

De acordo com os relatos de quem estava no local e vídeos gravados por câmeras de segurança, os policiais chegaram por volta das 09h25, fecharam o portão da Escola e pularam a janela da recepção dando tiros para o ar. Os estilhaços de balas recolhidos comprovam que nenhuma delas era de borracha e sim letais.

A nossa Constituição Federal “Cidadã” de 1988, preconiza em seu artigo 5, inciso XI que “casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou durante o dia, por determinação judicial.”

Não cumprindo nenhum desses salvo condutos, a invasão da sede do MST se mostra totalmente ilegal e fere de morte mais uma vez a nossa Constituição Federal, que nos últimos anos vem sendo fortemente atacada e rasgada por setores conservadores que se acham acima da Lei.

A Pastoral da Juventude do Meio Popular repudia toda e qualquer ação que vise criminalizar os movimentos sociais e atacar os direitos da livre associação e manifestação dos sujeitos. Exigimos que as autoridades competentes: Governo do Estado de São Paulo, Ministério Público Federal e Ministério da Justiça, tomem as medidas cabíveis para a apuração e responsabilização dos envolvidos nesta ação, bem como que assegure o direito de liberdade democrática ao MST e todos os demais Movimentos Sociais do país.

Nosso grito é pela vida, liberdade e justiça, somos contra as violações de direito, repressão policial e criminalização dos movimentos sociais.

“Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão”.

Coordenação Nacional da PASTORAL DA JUVENTUDE DO MEIO POPULAR (PJMP).

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

EPS do PT: PONTOS PARA A UNIDADE SUBSTANTIVA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES.





"Eu sou o espírito que tudo nega!

E assim é, pois tudo o que existe merece perecer miseravelmente." (Mefisto, in Fausto, de Goethe)

A unidade burocrática do PT está em xeque. E isso não se deve às derrotas eleitorais recentes. Mas, ao esgotamento de um ciclo partidário. Um ciclo histórico e ideológico. Ou bem fazemos esse profundo processo autocrítico, ou bem mereceremos perecer miseravelmente!

A dialética de nossa crise partidária é o resultado de uma síntese de determinações diversas:

a) O cerco que sofremos da burguesia, de seus setores oligopolistas (e com alguns dos quais nos aliamos “ingenuamente”), se deve, principalmente, aos nossos méritos: sinalizar que a democracia substantiva pressupõe ampliar o acesso a bens e direitos às amplas massas;

b) Porém, esse cerco só teve êxito em face de erros internos nossos: sobretudo às crenças ideológicas em quimeras tais como “democracia como valor universal”, “Estado democrático de direito”, no “republicanismo” sem caráter de classe. Expressões polissêmicas, interpretadas ao gosto do pronunciante de ocasião. Expressões desorientadoras que, sob o encanto das benesses do poder, podem ter levado alguns e algumas ao deleite de prerrogativas moralmente condenáveis.

c) Hoje, o conjunto do partido sofre por erros que não foram da totalidade do coletivo. Por que não refutamos, publicamente (como partido), a arenga do “déficit da previdência”? Por que o Partido se recusou a defender a “auditoria cidadã da dívida pública”? Por que não criticamos a paralisia da reforma agrária? Por que não demarcamos com o desmonte da reforma urbana, a partir do esvaziamento do Ministério das Cidades, que foi destinado a ser mero objeto de troca com a base aliada? Por que não levamos a fundo a CPI do Banestado (uma genuína obra tucana; o maior escândalo, de fato, da política brasileira)? Por que não democratizamos as telecomunicações?

d) E é preciso ficar claro: várias dessas imprecisões conceituais e recuos políticos são também de responsabilidade de vários campos, para além do “majoritário”. Ainda que este tenha que reconhecer que os ônus principais são seus e têm que ser assumidos sem tergiversações. Também não contribui para o esforço de construção da unidade - no debate e na autocrítica - manifestações que sugerem possíveis desligamentos de quadros do PT. Essa é uma ameaça real, mas não deve ser usada como “argumento”. Isso sectariza e fornece insumo aos nossos inimigos.

e) Avançando na reflexão autocrítica, reconhecemos que uma coisa é ser base de nossos governos e agir com lealdade política. Mas, não a lealdade canina, que – ao final - praticamos. Um governo de coalizão nos daria relativa autonomia, seja de bancada, seja das frentes de massa do partido. Não soubemos conduzir isso. O sentido de “governabilidade” fez o partido baixar a guarda ideológica sobre princípios elementares à esquerda e que, além de deixar o partido sem referências na nossa base social, desenvolveu um pragmatismo negocial que o levou para a vala comum da política. A política do vale tudo. De tal forma que o abominável cinismo do “baixo clero” (do Congresso) entrou no cotidiano da vida partidária, seja nas relações internas, seja com os aliados.

f) A unidade partidária, antes de ser um pacto de silêncio e arreglos internos, deve se constituir à base do franco debate de ideias. O reencontro do partido com as ruas precisa trazer as ruas para dentro do Partido. Fazer o PT se reencontrar com a base social de esquerda no país. Retomar o caráter classista de organização partidária, com disposição e disponibilidade para se unir aos diversos segmentos da esquerda contemporânea, sem diminuir as dimensões de gênero, raça e da disputa cultural no centro da sua estratégia. Nossa autocrítica não deve ser dirigida à Globo, à FSP, ou à Fiesp, ou à Febraban, mas à base social que queremos representar. Nossos pontos de partida são os seguintes:

i) resgatar a centralidade ontológica do trabalho na sociabilidade humana (ou seja, não há conciliação possível, o tal jogo ganha-ganha, entre capital e trabalho);

ii) Fazer a crítica da democracia burguesa (como um valor universal), ao dito Estado democrático de direito e ao republicanismo carente de substantivação, que são papéis que foram rasgados pela própria burguesia e não caberia à esquerda tentar colá-los;

iii) lutaremos pela auditoria da dívida pública, pela retomada da CPI do Banestado, e pela democratização das comunicações (reconhecendo publicamente nossos déficits nessas frentes);

iv) a reforma política e eleitoral, que não peitamos, deve ser feita, com a indicação de seu caráter urgente: o sistema atual é corruptor e desalojar um partido do poder nada representará no combate à corrupção, se a atual estrutura for mantida.

g) O PT deve ter a ousadia de reconhecer que esse sistema corruptor contaminou até mesmo práticas internas do partido, no que diz respeito ao financiamento partidário e eleitoral. E que maiorias internas foram constituídas à base desses recursos. Ainda que o PT seja um sócio menor de todo esse processo, e que o PMDB, o PSDB, o DEM e o PP sejam seus sócios maiores, foi um erro ter conciliado com essas posturas. E quem tinha controle sobre isso deve reconhecer sua responsabilidade nisso tudo.

h) Uma autocrítica dessa magnitude pode resgatar a condição de pólo aglutinador da esquerda, no país, que o PT já teve. A composição das direções deve corresponder às demandas do novo tempo e da cobrança de nossa base social. A despeito do justo reconhecimento do trabalho de quadros internos dedicados ao trabalho organizativo, é preciso que uma nova direção reflita a necessidade de nos expormos às forças vivas da sociedade. Dirigentes especialistas em técnicas de PED, em “contar garrafinhas”, em operações burocráticas de manutenção de seu status quo, só agravam a situação do PT. E que as questões de gênero, raça e juventude adquiram a importância devida, para além do tratamento formal e burocrático que têm recebido.

*Sobre o PED*

Assim, é preciso ficar claro: o processo de eleições diretas das direções (PED) gerou uma grande expectativa de oxigenação do Partido. Porém, no quadro atual chega a ser pior do que o processo eleitoral burguês tradicional. O PT não sobreviverá aos vexames que decorrem do mesmo: ocorrências policiais, fraudes, agressões físicas e até compra de votos.

*Sobre a oposição ao governo golpista*

A oposição ao governo golpista, além dos traços acima delineados, tem que reforçar avanços que tivemos e que estão sendo desmontados e ameaçados por Temer e seus asseclas. A intolerância religiosa, a violência contra as mulheres, o preconceito contra a população LGBT, o morticínio da juventude negra, tudo isso tende a recrudescer nesse ambiente de regressividade cultural e social que embasou o golpe contra a presidenta Dilma.

A cruenta perseguição a Lula é parte integrante desse cenário. O golpe mostra sua fraqueza aí. Para se legitimar, precisa prender Lula, cassar o registro do PT, prender Dilma Rousseff e, se mesmo assim continuarmos a militar, tentarão tirar de circulação centenas de quadros, perseguir outros, desempregá-los e, em certos casos, até mesmo partir para a eliminação física.

Contra tudo isso devemos avançar na reconstrução do Partido. Não é apenas pelo PT e pelos petistas. Não é apenas por nosso legado. Mas, pelo Brasil, pela América Latina, pela África e pelos povos que vivem as ameaças do imperialismo.

Que o Congresso seja o espaço dessa reconstrução do Partido. Que o legado positivo do Partido não seja mero pretexto para a manutenção de hegemonias historicamente superadas.

A COMISSÃO EXECUTIVA DA COORDENAÇÃO NACIONAL DA *EPS do PT*
*Esquerda Popular Socialista do Partido dos Trabalhadores*
Outubro de 2016

ELEIÇÕES MUNICIPAIS, O PT E REIMONT na cidade do Rio de Janeiro.



O resultado do segundo turno das eleições municipais só confirmou o grande revés imposto à esquerda. No âmbito nacional, o nosso Partido dos Trabalhadores caiu de 638 prefeitos eleitos em 2012 para 254 – de 11,2 milhões de eleitores para apenas 1,6 milhão. Apenas o PCdoB obteve um pequeno crescimento. O voto popular revigorou o PSDB, absolveu o PMDB e consagrou forças conservadoras e reacionárias.

Muitas são as causas. Mas, nessa combinação de fatores, podemos destacar alguns, sem ordem de prioridade:

articulação midiático-jurídico-parlamentar na formulação de um cenário de forte rejeição à esquerda, particularmente ao PT, trazendo de volta até mesmo o “fantasma do comunismo” (?!);

criminalização do Estado Social, dos direitos humanos e civis, dos programas voltados para a população mais pobre e de todos os avanços sociais, trabalhistas e individuais. Em uma narrativa distorcida, e no âmbito de uma crise econômica (a real, mais a estimulada), os investimentos sociais foram apresentados como privilégios financiados com o sacrifício da população e criticados como se fossem custos onerosos;

burocratização e fisiologismo das direções do PT, que tanto se dissociou da militância como da sociedade, acomodando-se a um projeto de benfeitorias sociais desligado do imprescindível trabalho de formação política:

subordinação a uma lógica de alianças que resultaram em algumas coligações que colocaram o partido na contramão dos seus princípios e programa.

A criminalização da política gerou ainda uma expressiva e nada silenciosa manifestação da maioria do eleitorado, que preferiu não participar do pleito, seja pela abstenção como pelo voto em branco ou nulo. A soma dos que votaram em ninguém impôs uma derrota acachapante à classe política.

No Rio, esse comportamento teve destaque. No primeiro turno, dos 4.898.045 eleitores habilitados, 1.976.539 optaram por dar as costas ao processo eleitoral. No segundo turno, 2.034.353 pessoas negaram o voto aos dois candidatos; na sequência, é que vieram Marcelo Crivella, com 1.700.030, e Marcelo Freixo, com 1.163.662.

Nesse cenário, e fechado o processo eleitoral, é hora de refletir sobre o que consideramos uma grande vitória da campanha do vereador Reimont, que obteve 19. 626 votos, sendo o mais votado do PT e da coligação Rio em comum.

Na contramão da negação da política, a votação em Reimont cresceu. Cresceu de 2012 para 2016; cresceu na grande maioria das regiões da cidade; cresceu expressivamente em bairros de históricas lutas populares, como os da Zona Oeste e da região de Jacarepaguá, e naqueles que reúnem forte militância de esquerda, como Laranjeiras, na Zona Sul.

Esse é um resultado bastante significativo e que, certamente, expressa o acerto da combatividade do mandato na defesa dos movimentos sociais e das bandeiras históricas do PT, na oposição programática ao governo Paes e ao PMDB-RJ, na luta contra o golpe, na defesa do Estado Democrático de Direito e na construção da Frente Brasil Popular do Rio de Janeiro.

A campanha de Reimont aglutinou bases sociais e históricas do partido, mobilizou uma militância orgânica e combativa, obteve o apoio de organizações como a Consulta Popular, a UP - Unidade Popular pelo Socialismo, o PCML/ Inverta e as Brigadas Populares, coletivos que compõem a FBP e a Frente Povo sem Medo e foi abraçada por dirigentes da CUT e de diversos sindicatos cutistas.

Essa é uma vitória que traz uma contribuição clara às discussões sobre o PT que queremos, comprometido com os movimentos sociais, orgânico e militante. É a derrota de um modelo que há muito está em cheque, do PT desligado dos seus compromissos históricos, distanciado da sociedade.

Nessa direção, o mandato do vereador Reimont estabelece e apresenta a seguinte pauta de compromissos:

intensificação da atuação legislativa, no combate a qualquer tentativa de retrocesso e na fiscalização do executivo municipal;

permanência nas ruas, junto com os movimentos sociais e populares, em enfrentamento ao projeto neoliberal em curso e às crescentes ameaças à Democracia;

continuidade de audiências e aulas públicas como forma de dialogar diretamente com as pessoas e contribuir para a informação e a formação políticas da população;

luta pela reconstrução do PT, defendendo a antecipação do nosso congresso nacional e a construção de meios efetivamente democráticos para a eleição das direções partidárias;

manutenção de atividades como o programa Conversas do Brasil, para apoiar a militância no processo de discussão de temas urgentes do PT e do país;

firme atuação voltada para a estruturação de uma frente única formada por forças de esquerda, progressistas e democráticas, em defesa do Estado Democrático de Direito e contra o processo de cassação de direitos trabalhistas, civis e sociais.

Consideramos imprescindível e urgente restabelecer os vínculos do PT com a sociedade; essa é a nossa vocação, que precisa ser retomada. É o nosso compromisso e convidamos você a participar desse processo.

Mandato do vereador Reimont

Rio de Janeiro, 01 de novembro de 2016